A janela regulatória dos eletropostos
A norma que hoje é leve pode, amanhã, tornar cada nova instalação muito mais difícil.
A infraestrutura de recarga no Brasil ainda vive uma fase regulatória jovem. A ABNT NBR 17019 disciplinou a instalação de carregadores, e a Resolução ANEEL nº 1.000 consolidou as regras da recarga. Comparado ao que vem, é um regime permissivo.
O sinal de endurecimento já está no radar: corpos de bombeiros de vários estados começaram a publicar novas portarias de segurança contra incêndio para garagens e edifícios com veículos elétricos. Compartimentação, detecção, afastamentos, certificação, cada exigência nova encarece e atrasa o licenciamento.
Cada eletroposto aprovado hoje nasce sob regras mais leves. Amanhã, o mesmo ponto pode não passar.
Há um valor pouco discutido em mover-se cedo: instalações existentes tendem a ser preservadas quando a régua sobe. Garantir sites e licenças agora não é pressa: é blindagem regulatória.
O padrão não é novo. Elevadores, postos de combustível, aviação: toda infraestrutura que encosta no público começa sob regras leves e termina sob regras pesadas. A recarga elétrica está percorrendo esse arco agora, diante de quem quiser observar.
A diferença de custo entre conformar cedo e conformar tarde raramente é linear. Adequar um projeto no papel custa horas de engenharia; adequar um ponto construído custa obra, licença nova e, às vezes, a própria localização. O barato do improviso é o caro de amanhã.
Há ainda a vantagem do incumbente: quando a régua sobe, instalações existentes e conformes tendem a ser preservadas, enquanto a entrada de novos concorrentes encarece. Chegar antes, com licença em ordem, é comprar uma barreira de entrada pelo preço de uma diligência.